Google vira escola de inovação

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O Google se reinventa e vira escola de inovação. Na última década, o maior site de buscas da internet tornou-se a mais poderosa companhia do mundo virtual. Agora, com sua fórmula vencedora de inovação, quer brigar nos mercados do mundo real, de óculos inteligentes a carros autônomos. Larry Page, presidente do Google: quem trabalha próximo a Page diz que ele levou a sério um conselho dado por Steve Jobs em 2011, de ser um líder mais duro e exigente. Mountain View – Quem visita Mountain View, cidade localizada no coração do vale do silício, nos Estados Unidos, pode ter a impressão de estar num filme de ficção científica.

Próximo ao centro, às margens da rodovia 101, que corta a Califórnia de norte a sul, fica o Ames Research Center, instituto de desenvolvimento de novas tecnologias da Nasa, agência espacial americana. Uma gigantesca estrutura metálica, que pode ser observada a quilômetros de distância, abriga túneis de vento usados para simular as condições adversas enfrentadas em uma missão espacial.

O município de pouco mais de 75000 habitantes reúne pelo menos 60 empresas de tecnologia. A mais ilustre delas é o Google, que nos últimos tempos transformou Mountain View num grande campo de testes e aumentou o aspecto futurista da cidade. Mesmo fora da área que reúne os mais de 20 prédios do Googleplex, como é chamado o campus da empresa, é comum cruzar com utilitários Lexus equipados com um indiscreto sensor giratório no teto e assistir ao motorista tirar as mãos do volante para que o carro ande sozinho.

Ou entrar num dos restaurantes da Castro Street e ver um jovem falando com o Glass, os óculos conectados do Google. Com lançamento previsto para os próximos meses, o Glass já está entre os gadgets mais desejados do momento. O carro que anda sozinho e os óculos são apenas os dois exemplos mais recentes do que analistas de tecnologia estão chamando de a reinvenção do Google. Por 15 anos, a empresa fundada por Sergey Brin e Larry Page se firmou como referência em buscas na internet e explorou os mais diversos serviços online, do YouTube, site de vídeos, às redes sociais.

Foi com essa ênfase no mundo virtual que chegou a um faturamento de 51 bilhões de dólares — metade do registrado pela Petrobras, a maior empresa brasileira. Ao longo desse período, deixou de ser uma das startups mais charmosas do Vale do Silício, com o lema “Não seja do mal”, para se tornar uma megacorporação — e, como muitas delas, envolta em processos judiciais em várias partes do mundo. Pior: à medida que crescia, via aumentar o risco de engessar a estrutura responsável por seu sucesso. Há cerca de três anos, Page e Brin identificaram a necessidade de diversificar e deram uma guinada.

Passaram a investir em projetos para o mundo real e, numa velocidade assombrosa, fizeram com que o Google se tornasse referência no que se convencionou chamar de inovações disruptivas, que criam novos produtos ou modificam os atuais de forma radical. O sistema inteligente do carro autônomo ainda não tem data prevista de lançamento, e os óculos não chegaram às lojas. Mas o Google já está sentindo os benefícios de sua mudança de estratégia.

Conforme as notícias sobre as novas engenhocas começaram a se espalhar, a empresa conquistou uma posição que parecia inalcançável. “Em termos de inovação, o Google destronou a Apple em 2013”, diz o americano Gene Munster, analista sênior do banco de investimentos Piper Jaffray e um dos mais respeitados especialistas em tecnologia do mundo. Nos últimos 12 meses, as ações do Google valorizaram 27%, puxadas pelas expectativas de ganhos futuros de suas invenções.

Enquanto isso, as ações da Apple ficaram 32% mais baratas — a diferença, em termos de valor de mercado, que já foi de 444 bilhões de dólares a favor da Apple há um ano, caiu para 124 bilhões. É por tudo isso que o jeito Google de inovar, que pode ser resumido em seis passos, é hoje reverenciado. Para tomar a dianteira nessa competição, Page e Brin tiveram de abrir o caixa. De acordo com o ranking Global Innovation 1000, publicado anualmente pela consultoria Booz & Company, o Google investe mais de 13% de sua receita em pesquisa e desenvolvimento, a maior participação entre as grandes empresas de tecnologia.

Em 2013, o investimento em inovação deverá superar os 7 bilhões de dólares, praticamente o dobro do que a companhia investia em 2010. Parte dessa quantia vai para o Google X, laboratório de inovação que funciona de forma independente das outras áreas. Alguns funcionários do Google nem sabem onde ficam os dois pequenos prédios de tijolos localizados a cerca de 1 qui­lômetro da sede da empresa — o quarteirão é ocupado por companhias como a rede social ­LinkedIn e a Complete Genomics, que desenvolve tecnologias para o sequenciamento de DNA. Criado secretamente em 2010, o ­Google X foi mantido em sigilo por razões estratégicas até o ano passado.

Quando os carros autônomos e os óculos começaram a ganhar as ruas no começo do período de testes, ficou difícil negar a existência do centro de pesquisa. Lá dentro, os projetos, chamados pelo sugestivo nome de moonshots (“tiros em direção à Lua”), são pensados com base em um grande problema, que existe há muito tempo e ocorre em escala global — em outras palavras, algo que tem potencialmente grande apelo. Em seguida, os técnicos propõem possíveis soluções. “Nessa fase, quanto mais a ideia parecer ter saído de um filme de ficção científica, melhor”, diz Astro Teller, cientista-chefe do ­Google X e responsável por definir quais tiros à Lua a equipe formada por dezenas de engenheiros dará. Teller responde a Brin, que hoje se dedica exclusivamente ao laboratório secreto.

A empresa não confirma, mas estima-se que cerca de 100 projetos já tenham sido estudados ou estejam em estágio de execução no Google X. Até agora apenas quatro foram apresentados. Além do carro autônomo e dos óculos, há um veículo aéreo não tripulado dotado de hélices capazes de produzir energia eólica, o Makani Power, com previsão de lançamento para 2015, e um balão estratosférico equipado com roteadores que pretende criar uma rede de internet sem fio de extensão global, o Loon. O plano do Google é fazer com que o baixo custo permita conectar os rincões mais distantes até o fim desta década.

Fora da estrutura do Google X, Page e Brin estão criando a Calico, empresa voltada para a área da saúde, com foco na questão do envelhecimento. Diferentemente do que acontece em outras empresas do grupo, na Calico os projetos terão prazos de dez a 20 anos, o que pode ser justificado por sua principal meta: nada mais, nada menos que aumentar o tempo de vida dos seres humanos. Por que tanto barulho? O Google é um dos casos mais notórios da crescente obsessão do meio empresarial pelo tema da inovação. Uma pesquisa da consultoria PwC divulgada no começo de setembro ouviu quase 1800 empresas de 30 setores em mais de 25 países e chegou à conclusão de que, para 93% delas, a inovação será a principal responsável pela elevação de suas receitas nos próximos anos.

Com o contínuo aumento da competição provocado pela globalização, a busca por mais produtividade e menos custo virou algo básico e, por isso, insuficiente. As expectativas de crescimento de vendas, aponta a pesquisa, estão cada vez mais ligadas à criação de produtos transformadores. “A pressão para desenvolver algo novo e melhor é mais presente agora do que em qualquer outra época”, diz Saikat Chaudhuri, diretor do laboratório de inovação da escola de negócios Wharton, da Universidade da Pensilvânia. Essa mudança pode ser percebida na velocidade com que empresas consideradas avançadas são deixadas para trás em questão de poucos anos e, pelo caminho, vão abalando reputações.

Uma das vítimas mais recentes é o americano Steve Ballmer, que em agosto anunciou que deixará a presidência da Microsoft no ano que vem. Ballmer, para ser justo, não pode ser acusado de negligência. Sob seu comando, a Microsoft tornou-se a empresa de tecnologia americana que mais investe em pesquisa e desenvolvimento — 9 bilhões de dólares. O problema está no barulho que as inovações da Microsoft provocam no mercado — ou, mais especificamente, na ausência dele. Para tentar contornar esse obstáculo, Ballmer, já de despedida, costurou o acordo para adquirir a finlandesa Nokia por 7,2 bilhões de dólares.

A empresa tentará com isso recuperar o tempo perdido no mercado de smart­phones. O que faltou a Ballmer tem sobrado no caso de Brin e Page. O fascínio atualmente provocado pelo Google está em “como” ele inova em todas as suas áreas — não apenas no Google X — e na quantidade e no impacto de seus lançamentos. Só neste ano o portfólio de mais de 200 produtos ativos foi aumentado por novidades como o Hangout, software que integra chat, videochamada e sistema de troca de SMS, e o Moto X, primeiro smartphone lançado pela Motorola inteiramente criado como um projeto Google.

A base para a profusão de lançamentos é o perfil da força de trabalho. Hoje, a companhia tem cerca de 40000 funcionários, dos quais, de acordo com estimativas, metade é formada por engenheiros. Segundo o site americano de carreira Glassdoor, um engenheiro do Google ganha, em média, 125 000 dólares anuais, enquanto um da Microsoft recebe 103000. É esse verdadeiro exército de engenheiros bem remunerados que tem a missão de criar novos produtos com base nas diretrizes traçadas por Page anualmente. “Às vezes tenho uma ou outra ideia, mas são exceções. Aqui as ideias vêm de baixo para cima”, diz o americano Bradley Horowitz, vice-presidente responsável pelo Google+, rede social da empresa.

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Google reinvents itself and turns school innovation. In the last decade , the most trusted search the internet became the most powerful company in the virtual world . Now , with his winning formula of innovation, wants to fight in the real world , smart eyeglasses autonomous cars markets . Larry Page , Google Chairman : he works near Page says he took to heart advice given by Steve Jobs in 2011 , to be a harder and demanding leader. Mountain View – Mountain View who visit , a city located in the heart of Silicon Valley in the United States , may have the impression of being in a science fiction movie.

Close to downtown , on the banks of Highway 101 , which crosses California from north to south , is the Ames Research Center, Institute of developing new technologies from NASA, the U.S. space agency . A gigantic metal structure , which can be seen from miles away, hosts wind tunnels used to simulate the adverse conditions faced on a space mission . The city of just over 75,000 inhabitants meet at least 60 technology companies . The most illustrious of them is Google , which recently became a great mountain view field tests and increased the futuristic look of the city .

Even outside the area which brings together more than 20 buildings in the Googleplex , as the campus is called the company , it is common to come across utilities Lexus equipped with an indiscreet rotating sensor on the roof and watch the driver taking hands off the steering wheel so that the car ride sozinho.Ou enter one of the restaurants on Castro Street and see a young man talking with Glass , eyeglasses online from Google. Scheduled for release in the coming months , the Glass is now among the most desirable gadgets of the moment .

The car walking alone and glasses are just the two most recent examples of what tech analysts are calling the reinvention of Google . For 15 years , the company founded by Sergey Brin and Larry Page has established itself as a benchmark in internet searches and explored the various online services , YouTube video site , social networks . It was with this emphasis on the virtual world that has reached a turnover of 51 billion dollars – half of registered Petrobras , Brazil’s largest . Throughout this period , ceased to be one of the most charming startups in Silicon Valley , with the motto ” Do not be evil ” , to become a mega-corporation – and as many of them shrouded in lawsuits in various parts of the world. Worse, as it grew , via increasing the risk of plastering the structure responsible for its success .

About three years ago, Page and Brin have identified the need to diversify and gave a lurch . Started to invest in projects for the real world and a staggering speed, caused Google to become a reference in the so-called disruptive innovations that create new products or modify existing radically. The intelligent system of autonomous car still has no scheduled date of release, and the glasses do not hit stores . But Google is already feeling the benefits of a change in strategy . As the news about the new contraptions began to spread , the company has earned a position that seemed unattainable . ” In terms of innovation , Google dethroned Apple in 2013,” says American Gene Munster , senior analyst at investment bank Piper Jaffray and one of the most respected experts in the technology world .

In the past 12 months , Google shares rose 27 % , driven by expectations of future earnings of his inventions . Meanwhile , Apple shares were 32 % cheaper – the difference , in terms of market value , which was 444 billion dollars for Apple a year ago , fell to 124 billion . It is all this that Google way to innovate , which can be summarized in six steps , is revered today . To take the lead in this competition , Page and Brin had to open the box. According to the Global Innovation 1000 ranking published annually by consulting firm Booz & Company , Google invests more than 13 % of its revenue in research and development , greater participation among large technology companies .

In 2013 , investment in innovation is likely to exceed 7 billion, nearly double what the company invested in 2010 . Part of this amount goes to the Google X lab innovation that works independently of the other areas . Some Google employees do not even know where are the two small brick buildings located about 1 kilometer from the headquarters of the company – the block is occupied by companies like social network LinkedIn and Complete Genomics , which develops technologies for DNA sequencing . Secretly created in 2010 , Google X was kept secret for strategic reasons until last year .

When autonomous cars and glasses began to take to the streets at the beginning of the test period , it was hard to deny the existence of the research center . Inside, designs, called by the suggestive name of moonshots ( ” shots toward the Moon ” ) , are thought based on a problem that has long existed and occurs on a global scale – in other words, something that has potentially great appeal . Then, the proposed technical solutions possible . ” At this stage , the more the idea seems to have come out a better science fiction movie ,” says Astro Teller , chief scientist at Google X and responsible for defining which shoots the moon the team of dozens of engineers will .

Teller answers Brin , today dedicated exclusively to the secret laboratory . The company does not confirm , but it is estimated that about 100 projects have already been studied or are in the stage of implementation in Google X. So far only four have been presented. In addition to the autonomous car and glasses, there is a unmanned aerial vehicle equipped with propellers capable of producing wind energy, Makani Power , scheduled for release in 2015 and a balloon equipped with routers that aims to create a network of wireless internet overall length, the Loon . Google’s plan is to make low cost allows connecting the farthest reaches to the end of this decade . Outside the framework of Google X, Page and Brin are creating Calico , company dedicated to the health , focusing on the issue of aging . Unlike what happens in other group companies , in Calico projects have deadlines ten to 20 years, which can be justified by its main goal : nothing more , nothing less than to increase the lifespan of humans .

Why the fuss ? Google is one of the most notorious cases of the growing obsession of the business community in the subject of innovation. A survey by PwC announced in early September heard nearly 1,800 companies in 30 industries in over 25 countries and concluded that for 93 % of them , innovation will be the main responsible for the increase of their revenues in the coming years . With the continuous increase in competition brought about by globalization , the search for more productivity and less cost turned something basic and therefore insufficient.

Expectations for sales growth , notes the report , are increasingly linked to the creation of transformers products. ” The pressure to develop something new and better is more present now than at any other time ,” says Saikat Chaudhuri , director of the innovation lab at the business school Wharton , University of Pennsylvania . This change can be seen in the speed with which companies are considered advanced left behind in a matter of a few years , and by the way , will shaking reputations . One of the latest victims is the American Steve Ballmer , who in August announced that Microsoft will leave the presidency next year .

Ballmer , to be fair , can not be accused of negligence. Under his leadership , Microsoft became the American technology company that invests more in research and development – $ 9 billion . The problem is the noise that the innovations of Microsoft causing the market – or , more specifically , in his absence . To try to circumvent this obstacle , Ballmer , now farewell , stitched agreement to acquire Finland’s Nokia for 7.2 billion dollars . The company will attempt to recover this lost time in the smartphone market . What Ballmer has missed the townhouse where Page and Brin .

The allure is currently led by Google on “how ” it innovates in all areas – not just Google X – and the quantity and impact of their releases . Just this year the portfolio of over 200 active products was increased by news like Hangout , software that integrates chat , video call and SMS exchange system , and Moto X, the first smartphone launched by Motorola created entirely as a Google project. The basis for the plethora of releases is the profile of the workforce .

Today , the company has about 40,000 employees , of which , according to estimates , half is formed by engineers . According to the American career website Glassdoor , an engineer at Google earns on average 125 000 dollars annually , while a Microsoft receives 103000 . Is this true army of well-paid engineers whose mission is to create new products based on the guidelines set annually by Page . “Sometimes I am either idea , but they are exceptions . Here ideas come from the bottom up , ” says American Bradley Horowitz , vice president responsible for the Google+ social network company.

ALDO DELLA ROSA | inova@aldodellarosa.com | www.aldodellarosa.com

 

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