Japão dispõe de US$ 81 bilhões para projetos de infraestrutura e busca parceiros no Brasil

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XVIII Reunião Conjunta Brasil-Japão terminou nesta terça-feira, na FIERGS.

O governo japonês dispõe de um orçamento de US$ 81 bilhões para investimentos em infraestrutura em outros países, com previsão de aumento para US$ 244 bilhões até o ano de 2020. E o Brasil é um dos parceiros que a nação asiática busca para a concretização de projetos. A informação foi fornecida pelo presidente da Corporação Japonesa de Investimento em Infraestrutura para Transporte e Desenvolvimento Urbano no Exterior, a Join, Takuma Hatano, no segundo dia da XVIII Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, que terminou nesta terça-feira (1º), na FIERGS.

A Join foi criada no ano passado, é gerida pelo governo, mas seu capital é 50% público e 50% privado. “A sua função é estimular e fazer com que empresas japonesas participem de investimentos e parcerias Público-Privadas (PPPs) em outros países. Temos 2 mil engenheiros especialistas para enviar ao exterior”, explica Hatano, que participou do painel Infraestrutura e Agronegócio. “Não somos apenas financiadores, também colocamos a ‘mão na massa’, e é importante que tenhamos um parceiro financiador local, no caso do Brasil, o BNDES, por exemplo”.

As áreas de atuação da Join estão concentradas no trem-bala, metrôs, pontes, logística offshore, terminais portuários, aeroportos e desenvolvimento urbano. Para estabelecer PPPs no Brasil, todavia, o presidente da Join estabelece condições. “O governo brasileiro precisa estar comprometido e dar suporte. Além disso, a falta de transparência em um país é um empecilho para que empresas japonesas invistam”, alerta.

Takao Omae, presidente do subcomitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão da Keidanren, a confederação empresarial do país, atuou como mediador no painel. Ele disse que “melhorar a infraestrutura é um assunto da maior importância para o Brasil, o que pode ocorrer com contribuição e apoio financeiro do Japão”. Lembrou a participação japonesa em projetos como o metrô de São Paulo.

O secretário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Maurício de Carvalho, ressaltou que as oportunidades podem surgir dentro do Programa de Investimento em Logística, lançado pelo governo federal este ano para modernizar aeroportos, rodovias, ferrovias e portos. Com previsão de investimentos de R$ 198,4 bilhões, o programa prevê concessões à iniciativa privada. Desse total, R$ 69,2 bilhões devem ser aplicados entre 2015 e 2018.

Vice-presidente da Agência de Cooperação Internacional do Japão – Jica, Toshiyuki Kuroyanagi relatou que a sua entidade atua no Brasil em projetos de infraestrutura urbana, tratamento de resíduos e prevenção de riscos de desastres, mas que também pode colaborar na formação de recursos humanos para a área industrial.
O painel sobre Inovação e Tecnologia teve a mediação do vice-presidente do CIERGS, Ricardo Felizzola. Ele fez uma comparação bastante evidente de quanto o Brasil precisa crescer em relação ao Japão. “Lá, cerca de 3,35% do PIB são destinados para investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Aqui, não passamos de 1,24% do PIB, sendo que o nosso PIB é bem menor”, lamentou. O diretor de relações externas da Embraer, José Serrador, apresentou o case da empresa e destacou que a educação.

No encerramento da reunião, o presidente do Comitê de Cooperação Econômica Japão-Brasil, Seção Japonesa, Masami Ijima, confirmou o empenho de sua equipe de trabalho em relatar ao governo japonês os avanços das negociações em nível de investimentos privados no Brasil. “Temos até dezembro, quando a presidenta Dilma visitará o Japão, para apresentar a redação final dos acordos que podem ser trabalhados em âmbito privado, sem depender da regulação dos dois governos”, disse. Entre essas negociações, está a maior aceitação de profissionais brasileiros de origem não-nipônica quando se candidatam a uma vaga de trabalho.

No que diz respeito ao envolvimento dos governos japonês e brasileiro, Ijima acrescentou o interesse dos empresários de seu país em fazer parte da associação para busca de investimentos no exterior – com prioridade no Brasil. “Essa associação é uma espécie de agência para encontrar os melhores locais e negócios onde poderemos investir. O foco no Brasil está quase todo no programa de concessões do governo brasileiro e queremos, sim, que tenhamos as informações mais transparentes e interessantes para decidir sobre investimentos”, observou, fazendo uma referência ao mesmo tipo de interesse que a China e Coreia do Sul possam ter em relação ao Brasil: “Poderia considerar que estes dois países são até nossos concorrentes de olho nas melhores oportunidades que o Brasil vá oferecer para o que vocês chamam de PPPs”.

O presidente do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, Seção Brasileira, Murilo Ferreira, complementou a fala de Ijima. “Apesar de 120 anos de cooperação, ainda estamos no início de uma grande jornada. Sabemos que os dois países têm uma relação sólida, harmônica e de reciprocidade. Com isso tudo, tenho certeza de que será uma história de muito sucesso”, avaliou.

A Reunião Conjunta, organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e sua congênere japonesa, a Keidanren; em parceria com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), reuniu 400 representantes dos setores público e privado de Brasil e Japão durante dois dias, em Porto Alegre.
Quinhentas empresas concentram 85% das exportações do Brasil

O painel Cooperação Empresarial e Oportunidades de Investimentos encerrou o primeiro dia da 18ª Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão. Foram tratados temas como os setores de tecnologia da informação, a atual relação comercial entre os dois países e a importância de estimular as exportações nacionais.

O vice-presidente da FIERGS, Cezar Müller, mediou o debate e destacou que as exportações são vetores de crescimento para o médio e longo prazo, principalmente em um momento econômico não tão favorável como o vivido atualmente no Brasil. “Somos a sétima economia do mundo, mas ocupamos apenas a 23ª colocação entre os maiores exportadores. Precisamos intensificar o comércio exterior e essa aproximação com o Japão é fundamental”, complementou.

O diretor de negócios da Apex Brasil, André Marcos Favero, abordou a importância de estimular as exportações, pois hoje há 20 mil empresas que vendem para o mercado externo e apenas 500 delas concentram 85% do comércio com outros países. Abordou o Plano Nacional de Exportações anunciado pelo governo federal em junho, que tem o propósito de intensificar as relações já existentes, como é o caso do Japão, e buscar novos parceiros. “Com os japoneses, a ideia é focar nos setores de alimentos e bebidas, casa e construção, e máquinas e equipamentos”, enumerou.

O presidente da Toyota no Brasil, Koji Kondo, informou que “sugerimos o desenvolvimento de uma política de incentivo à exportação sem depender da situação econômica ou da balança comercial brasileira”. A intenção da multinacional é produzir automóveis de motores híbridos por aqui.

Já o representante da Câmara de Comércio e Indústria do Japão no Brasil, Aiichiro Matsunaga, relatou medidas de competitividade sugeridas ao governo nacional, que inclui formação de profissionais qualificados, incentivar investimentos em infraestrutura; redução do custo de energia, a partir do uso eficaz da matriz energética, sem a influência de fatores climáticos e a criação de zonas francas em áreas centrais e não apenas em regiões remotas.

No encontro, também foram apresentados dados sobre a indústria de tecnologia da informação pelo diretor-presidente da Softsul, José Antônio Antonioni. Ele destacou que o País detém 3% do mercado mundial e 46% da América Latina. Atualmente, existem por aqui 154 milhões de smarphones em uso e 70 milhões de computadores instalados. “A parceria ideal seria o Japão fornecendo o hardware e o Brasil o software embarcado”, sugeriu. Ele afirmou ainda que a atual crise é uma ótima oportunidade para o setor de tecnologia, pois oferece produtos e serviços que contribuem com a melhoria da gestão e aumento de produtividade.

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