Os caminhos da democracia no Brasil

Ricardo Gomes, Eduardo Wolf e Luiz Felipe Pondé debatem a cultura da democracia.

O painel Cultura da Democracia foi apresentado por Ricardo Gomes, secretário de Desenvolvimento Econômico de Porto Alegre; Eduardo Wolf, secretário adjunto da Cultura de Porto Alegre; e Luiz Felipe Pondé, filósofo, colunista do Jornal Folha de São Paulo; neste segundo dia do 30º Fórum da Liberdade. Os temas discutidos foram a intervenção do Estado e as fragilidades da democracia brasileira.

Ricardo Gomes critica a intervenção do Estado e a permanência de serviços estatais. “Nosso desafio é limitar o poder do Estado. Não há estado que se mantenha tendo correio, banco, petroleiro, empresa de TI, laboratório”, diz. Gomes argumenta que a sociedade precisa de mais espaço, e que isto hoje é ocupado pelo Estado. O secretário defende que a real democracia se faz respeitando os direitos individuais. “Só pode haver democracia quando há igualdade perante a lei”, fala. O ex-presidente do IEE ainda reprova a criação de leis voltadas para determinadas representatividades coletivas e diz que o país não é democrático. “Nunca vivemos numa plena democracia. Vivemos oligarquia, ditadura, populismo e, recentemente, a precisiocracia – onde quem precisa mais tem mais direitos do que quem precisa menos”, declara.

Eduardo Wolf questiona se a democracia seria uma ameaça à liberdade e diz que esta, no Brasil, fica enfraquecida por causa da adoção de medidas sociais coletivas. “Graças a uma política definida pela raça, etnia, sexo, padrões de comportamento, ou seja, o estado passou a ocupar os espaços que vinham sendo ocupados pela democracia”, enfatiza. Wolf fala que o poder do Estado de intervir no comportamento das pessoas atrasa a democracia. “Discutir nas escolas igualdade de gênero, direito de minorias é mais grave que bombas na Síria”, declara.

Luiz Felipe Pondé diz que o pensamento liberal precisa ir além da política e da economia. “Para poder pensar no futuro da democracia é urgente ampliar o repertório cultural”, fala. Pondé declara que os principais responsáveis pela economia do país não se interessam por novos projetos. “Grande parte da elite econômica do Brasil não acredita nas ideias porque não investe dinheiro nelas”, constata. O filósofo critica a esquerda política no Brasil. “É um fetiche da sociedade contemporânea e uma questão cultural. Precisamos nos debruçar sobre este debate”, argumenta.

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