Por que não sentir culpa é o novo luxo

ALDO DELLA ROSA PALESTRANTE INOVAÇÃO INNOVATION CANOAS PORTO ALEGRE SÃO PAULO BRAVENCE FIERGS FIESP FIRJAN CNI 21

GUILT-FREE CONSUMPTION = Por que não sentir culpa é o novo luxo dos consumidores, e o Santo Graal para as empresas. Dando continuidade aos Trend Briefings recentes sobre CLEAN SLATE BRANDS (MARCAS QUE COMEÇAM DO ZERO) e DEMANDING BRANDS (MARCAS EXIGENTES), e unindo diversos desdobramentos das mega tendências HUMAN BRANDS (MARCAS HUMANAS) e BETTER BUSINESS, GUILT-FREE CONSUMPTION (GFC – CONSUMO SEM CULPA) é uma resposta interessante à atual jornada pelo consumismo mais consciente, mais ético e mais sustentável.

Definição: Impulsionados por conflitos internos entre seus impulsos consumistas e suas aspirações para serem “bons”, consumidores experientes são cada vez mais tomados pela culpa. O resultado é uma busca cada vez maior por um novo tipo de consumo: um que seja livre de preocupações (ou que pelo menos acarrete menos preocupações) em relação a seu impacto negativo, ao mesmo tempo em que permite satisfazer aos seus caprichos.

Observação: Este Trend Briefing foi inspirado por um comentário recente de Gerald Lawless, CEO da rede Jumeirah Hotels, falando sobre como o futuro do luxo seria “livre de culpa”. 1. AS DUAS METADES DO “EU” Divided-self: Uma das Grandes Necessidades Humanas é se considerar “bom”. E os seres humanos se sentem bem consigo mesmo quando vivem de acordo com suas aspirações e seus valores mais profundos. No entanto, os consumidores maduros estão cada vez mais cientes de que os desejos e impulsos que os acometem – que eles constantemente realizam e satisfazem dentro da arena de consumo – com frequência vão especificamente contra esses mesmos valores e aspirações.

Triunfo da Transparência: Todos os dias, os consumidores recebem mais e mais informações sobre problemas nos processos e na ética comercial, ouvem a voz abafada dos operários nos países em desenvolvimento ou recebem dados científicos relativos aos danos à saúde que as coisas (industrializadas) que gostam de comer ou beber causam. Assim, ficou completamente impossível para qualquer indivíduo que faça parte de uma sociedade de consumo quase ou totalmente madura alegar ignorância em relação ao caos que seus hábitos de consumo causam.

Contraste às Claras: Ao mesmo tempo, as diversas CLEAN SLATE BRANDS que alardeiam seu comportamento ético e responsável só servem para destacar ainda mais a natureza profundamente falha de várias marcas e os produtos estabelecidos. Tome como exemplo os preservativos. Quantos consumidores levaram em consideração as dimensões éticas das camisinhas antes de a Sustain Condoms mostrar com ênfase os abusos ambientais e sociais envolvidos na produção do látex? Cada vez que uma marca alardeia não empregar crianças de nove anos em fábricas de Bangladesh, não alimentar frangos à força, não depender de motores poluentes para fabricar seus produtos, as dúvidas dos consumidores em relação às empresas que não se manifestam crescem. Não para, não para, não para não.

No entanto, uma mistura muito humana de status, indulgência, condicionamento, vício e prazer verdadeiro (que pode derivar de tudo, desde um hambúrguer saboroso do Burguer King à uma viagem vapt-vupt com uma passagem de preço baixo da easyJet/AirAsia/JetBlue, passando por roupas baratas e bacanas da H&M e phablets [combinação de celular e tablet] reluzentes) impede que os consumidores modifiquem de modo substancial suas necessidades e padrões de consumo que sabem ser danosos. 2.

A ESPIRAL DA CULPA

É esta tensão – entre os valores que os consumidores respeitam e a consciência generalizada de que as suas ações vão contra esses valores – que se manifesta como um poderoso e persistente sentimento de culpa que assombra muitos consumidores hoje. Algumas estatísticas: “Quando a afirmação “Eu me sinto culpado em relação ao impacto que causo ao meio ambiente” foi apresentada a consumidores do mundo todo*, 28% deles deram a si mesmos nota 4 ou 5 (sendo a nota máxima 5, e 5 significa “concordo totalmente”). (National Geographic Greendex, julho de 2012)” * De maneira um tanto irônica, algumas economias emergentes apresentaram nível de culpa mais alto: 45% dos indianos, 42% dos chineses e 40% dos brasileiros se deram nota 4 ou 5, constrando com apenas 23% de britânicos, 21% de americanos e 19% de australianos.

“Em 2013, 27% de consumidores dos EUA estavam “mais preocupados” com desperdício de comida do que em 2012, sendo que apenas 5% estavam “menos preocupados”.  (BAV & Sustainable America, março de 2013)” “Quando interrogados a respeito de sua dieta e níveis de atividade física, e para que se atribuíssem uma nota de “A” a “F”, consumidores dos EUA se deram nota média ‘C+’ por seu nível de atividade física e a nota média de ‘B-’ para o nível de dieta. Apenas 12% se deram ‘A’ ou ‘A-’.  (International Food Information Council Foundation, maio de 2013)”.

A boa notícia: bombardeados por estas necessidades contraditórias – de buscar prazer na satisfação dos impulsos e de se livrar de um sentimento de culpa crescente – os consumidores hoje estão sedentos por uma nova maneira de consumir, que os permita continuar se deleitando com o suas compras, sem se preocupar (ou pelo menos se preocupando menos) com seu impacto negativo. 3. A ABSOLVIÇÃO DA CULPA Para se tornar uma marca GFC, as marcas precisam primeiro compreender os diversos tipos de culpa que no momento atormentam os consumidores “conscientes”. Abaixo, três* tipos de culpa dos consumidores:

◾EU: Culpa a respeito do que se causa a si mesmo.
◾SOCIEDADE: Culpa a respeito do que a pessoa causa, direta e indiretamente, a outras pessoas (e a outras criaturas vivas). ◾PLANETA: Culpa a respeito do próprio impacto sobre o ambiente de maneira geral.

Agora, GUILT-FREE não precisa significar impacto zero, ética perfeita, consumo totalmente saudável nem mesmo consumo zero**. Não é que os consumidores estejam presos a ideia de que o menor dos impactos negativos sobre o planeta, a sociedade ou si mesmo seja inaceitável. Na prática, eles apenas querem saber se este impacto é o menor possível. De fato, pelo menos por enquanto, as inovações mais potentes do GFC vão se concentrar nas áreas em que existe maior tensão entre os valores e os impulsos dos consumidores, e que ajudem a absolver aquela culpa que mais os atormenta. * Quando se trata de culpa, é claro que estas não são as suas únicas dimensões.

Observe como consumidores dos mercados emergentes muitas vezes experimentam a culpa “cultural”: sentem-se divididos entre seu desejo de mergulhar na arena global de consumo e a ideia de que estejam “abandonando” sua identidade e herança cultural (para aliviar esta culpa, consulte e nossa tendência CELEBRATION NATION ** Apenas a verdadeira redução do consumo, quer dizer, consumir menos, oferece a redenção máxima. Mas 99% dos consumidores parecem ainda não estarem prontos para isso. E o mesmo pode ser dito a respeito da maior parte das marcas.

GFC & EU: Como marca, identifique as escolhas de consumo que causam mais culpa quando se trata de bem-estar físico e mental: açúcar, gordura, álcool, sedentarismo e outras. Então faça alguma coisa para absolver esta culpa. O mês de setembro de 2013 registrou iniciativas GFC da parte dos gigantes do fast-food McDonald’s e Burger King.

O Burger King lançou as Satisfries – batatas fritas com 40% menos gordura e 30% menos calorias do que a equivalente do McDonald’s. Já o McDonald’s anunciou uma parceria global com a Alliance for a Healthier Generation (parceria entre a fundação da família Clinton – Clinton Foundation – e a American Heart Association) para assumir compromissos específicos, entre eles o de sempre oferecer uma escolha de salada, fruta ou legume de acompanhamento como substitutos das batatas fritas em qualquer combo. Ou você pode aprender com um exemplo mais leve: a sorveteria Peddler’s Creamery, em Los Angeles, que abriu as portas em abril de 2013, pede aos clientes que pedalem uma bicicleta instalada dentro da loja para fazer a batedeira funcionar.

Este é mesmo um prazer GUILT-FREE! GFC & A SOCIEDADE: Como marca, identifique as escolhas de consumo que causam mais culpa no que diz respeito a outras pessoas: condições de trabalho ruins, salário abaixo da linha de pobreza, exploração dos funcionários e outras. Vá em frente: absolva a culpa! Dê uma olhada no Fairphone, o smartphone da Holanda que agora está em produção, depois de ter superado com facilidade o objetivo de 5.000 unidades em pré-venda em junho de 2013. O aparelho é produzido sem usar minerais obtidos em zonas de conflito e com atenção ao bem-estar de quem trabalha na confecção do produto. E que tal a loja online Shop For Social lançada em Cingapura, em julho de 2013?

O site faz parcerias e escolhe produtos direta e exclusivamente de empresas sociais e ONGs locais, além de incluir artesanato feito por indivíduos com deficiências físicas ou mentais. GFC & O PLANETA: Combustíveis fósseis e emissões de CO2, embalagens que representam desperdício, materiais não biodegradáveis, destruição da floresta tropical: quando se fala do planeta, não faltam motivos para a culpa.

Alguns exemplos recentes que servem de lição: O já emblemático carro Tesla Model S tem o intuito de absolver a enorme culpa que ronda o ato de dirigir. A Quartz relatou recentemente que o Tesla já estava vendendo mais do que as marcas Buick, Cadillac, Chrysler, Fiat, Jaguar, Land Rover, Lincoln, Mitsubishi, Porsche e Volvo na Califórnia, segundo dados de junho deste ano.

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GUILT -FREE CONSUMPTION = Why not feel guilt is the new luxury consumer , and the Holy Grail for businesses . Continuing the recent Trend Briefing on CLEAN SLATE BRANDS ( STARTING FROM SCRATCH MARKS ) and demanding BRANDS ( DEMANDING BRANDS ) , and uniting diverse developments of mega trends HUMAN BRANDS ( MARKS HUMAN ) and BETTER BUSINESS , GUILT -FREE CONSUMPTION ( GFC – CONSUMPTION WITHOUT GUILT ) is an interesting response to the current day by the most conscious, most ethical and sustainable consumerism .

Definition : Driven by internal conflicts among its consumerist impulses and aspirations to be “good ” , savvy consumers are increasingly taken by guilt. The result is an increasing search for a new type of consumer : one that is worry free ( or at least entail fewer worries ) in relation to its negative impact , while allowing satisfy their whims . Note : This Trend Briefing was inspired by a recent comment from Gerald Lawless , CEO of Jumeirah Hotels chain , talking about the future of luxury would be ” guilt-free ” . 1. THE TWO HALVES OF ” U.S.” Divided – self: One of the Great Human Needs is consider ” good” .

And humans feel good about yourself when you live according to their aspirations and deepest values ​​. However , mature consumers are increasingly aware that the desires and impulses that affect – they constantly perform and satisfy inside the arena of consumption – often go specifically against these same values ​​and aspirations .

Triumph of Transparency : Every day , consumers receive more and more information about problems in processes and business ethics , hear the muffled voice of workers in developing countries or receive scientific data related to health damage things ( industrialized ) that like to eat or drink cause . Thus, it was quite impossible for any individual that is part of a consumer society nearly or fully mature plead ignorance of the chaos their consumption habits cause .

Contrast to whites : At the same time , the various CLEAN SLATE BRANDS which profess to ethical and responsible behavior only serve to further highlight the deeply flawed nature of various brands and established products . Take for example condoms . How many consumers took into consideration the ethical dimensions of condoms before the show Sustain Condoms emphasizing the environmental and social abuses involved in the production of latex ? Each time a brand boasts not employ children nine years in Bangladesh factories not feed chickens to force, not relying on polluting engines to manufacture its products , the doubts of consumers in relation to companies that do not manifest themselves grow .

Not , not , not for no. However , a very human mixture of status , indulgence , fitness, addiction and true pleasure ( you can derive everything from a tasty burger from Burger King at one lickety-split trip with a passage of low easyJet / AirAsia / JetBlue , going through cheap and cool clothes from H & M and phablets [ combination of mobile and tablet ] gleaming ) prevents consumers modify substantially their needs and consumption patterns they know to be harmful .

2 . THEN : A SPIRAL OF GUILT is this tension – between the values ​​that consumers respect and widespread awareness that their actions go against those values ​​- which manifests itself as a powerful and persistent sense of guilt that haunts many consumers today. Some statistics : “When the statement” I feel guilty about the impact I cause to the environment ” was presented to consumers worldwide * , 28 % of them gave themselves note 4 or 5 ( 5 being the highest score , and 5 means “strongly agree ” ) . ( National Geographic Greendex , July 2012) ” * Somewhat ironically , some emerging economies showed higher level of blame : 45 % Indians , 42 % of Chinese and 40 % of Brazilians have graded 4 or 5 , with constrando only 23 % of Britons , 21 % of Americans and 19 % of Australians. ” In 2013 , 27 % of U.S. consumers were ” most concerned “about food waste than in 2012 , and only 5 % were ” less concerned ” . ( BAV & Sustainable America , March 2013) “

” When asked about their diet and physical activity levels , and that to attribute a score of ” A” to ” F ” , U.S. consumers are given average grade ‘ C + ‘ by your level of physical activity and the average grade of ‘ B -‘to the level of diet. Only 12 % are given ‘A’ or ‘A-‘ . ( International Food Information Council Foundation , May 2013 ) . ” The good news : bombarded by these conflicting needs – of seeking pleasure in satisfying the impulses and to get rid of a growing sense of guilt – consumers today are hungry for a new way to consume , allowing them to continue delighting with their purchases without worrying ( or at least worrying less) with its negative impact . 3 . Absolution GUILT To become a GFC brand , brands must first understand the different types of fault that when plague ” conscious ” consumers . Below three * types of consumer guilt :

◾ U.S.: Guilt about that question yourself .
◾ SOCIETY : Guilt about what the person involved, directly and indirectly , to other people ( and other living creatures ) .
◾ PLANET : Guilt about the impact on the environment in general itself.

Now , GUILT -FREE need not mean zero impact , perfect ethical , totally healthy consumption even zero consumption . ** It’s not that consumers are stuck with the idea that the smallest negative impact on the planet , society or yourself is unacceptable. In practice , they just want to know if this impact is minimized. In fact , at least for now , the most powerful innovations of the GFC will focus on areas where there is increased tension between values ​​and consumer impulses , and to help absolve that guilt that torments more .

When it comes to blame, it is clear that these are not their unique dimensions . Notice how consumers in emerging markets often experience a “cultural ” fault : they feel torn between their desire to plunge into the global arena of consumption and the idea that they are ” abandoning ” their identity and cultural heritage (to alleviate this guilt , and see our tendency NATION CELEBRATION ** Only real reduction in consumption , ie , consume less , offers maximum redemption. But 99 % of consumers still do not seem to be ready for that. And the same can be said of most brands .

GFC & I : As a brand , identify consumption choices that cause more guilt when it comes to physical and mental well -being : . sugar, fat , alcohol , inactivity and other Then do something to absolve this guilt of the month . September 2013 registered GFC initiatives by the fast-food giants McDonald ‘s and Burger King Burger King launched the Satisfries – . chips with 40 % less fat and 30 % fewer calories than the equivalent of McDonald’s . Have McDonald’s announced a global partnership with the Alliance for a Healthier Generation (a partnership between the founding of the Clinton family – Clinton Foundation – and the American Heart Association) for specific commitments , including to always offer a choice of salad, fruit or vegetable monitoring as a substitute for fries in any combo .

Or you can learn with a lighter example: Peddler ‘s Creamery ice cream shop in Los Angeles , which opened in April 2013 , asks customers to pedalem installed bike inside the store to make the mixer work. This is really a pleasure GUILT -FREE ! GFC & SOCIETY : As a brand , identify consumption choices that cause more guilt in relation to others : poor working conditions , wages below the poverty line, exploitation of employees and others. Go ahead : absolve the guilt !

Take a look at Fairphone , the smartphone from Holland who is now in production , having easily surpassed the goal of 5,000 units for pre – sale in June 2013. The device is produced without using minerals obtained in conflict zones and with attention to the welfare of those who work in making the product. What about the online store Shop For Social launched in Singapore in July 2013 ? The site makes partnerships and choose directly and exclusively social enterprises and local NGOs products and includes crafts made by individuals with physical or mental disabilities .

GFC & THE PLANET : fossil fuels and CO2 emissions , which account for packaging waste, non-biodegradable materials , rainforest destruction : when speaking of the planet , there are many reasons for guilt . Some recent examples that serve as a lesson : The now iconic Tesla Model S car is intended to absolve the enormous guilt that surrounds the act of driving . The Quartz recently reported that Tesla was already selling more than the Buick , Cadillac , Chrysler , Fiat , Jaguar , Land Rover , Lincoln , Mitsubishi , Porsche and Volvo brands in California , according to data from June this year.

ALDO DELLA ROSA | inova@aldodellarosa.com | www.aldodellarosa.com

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