Startup brasileira passa (de novo) em seleção mais disputada que Harvard

A Quero Educação fez parte de mais um programa de aceleração da Y Combinator, que investiu em negócios como Airbnb, Dropbox e Reddit

Não é nada fácil passar em uma seleção como a da Y Combinator. Na aceleradora do Vale do Silício (Estados Unidos), de 1 a 2% das startups que concorrem são de fato selecionadas – na prestigiada Universidade de Harvard, a taxa de aprovação é de 5%. Mais difícil do que entrar é ser aprovado mais de uma vez. Uma startup brasileira acabou de conseguir o feito: a Quero Educação.

O negócio, mais conhecido pelo marketplace de descontos para o ensino superior Quero Bolsa, já havia passado pela aceleração comum da Y Combinator em junho de 2016. Agora, foi aprovado em um novo programa da instituição, chamado YC’s Growth Program.

É como uma pós-graduação, focada em startups que estão mais sólidas – dezenas de funcionários e um investimento Série A no bolso. É uma fatia selecionada, já que apenas 100 companhias das mais de 1.200 ativas e aceleradas pela Y Combinator possuem mais de 50 empregados.

“Somos a única startup brasileira aprovada que tem o foco em um mercado internacional para eles, que é o Brasil. É como estar em um parque de diversões, encontrando nossos ídolos”, afirma Bernardo de Pádua, presidente da Quero Educação. Após o programa, a empresa possui metas ainda mais agressivas do que antes – ser um “Airbnb das escolas”, citando a gigante de mais de 30 bilhões de dólares em valuation (cerca de 117 bilhões de reais, na cotação atual).

Conversas e expansões
Diferentemente de um programa de aceleração, o YC’s Growth Program não é um programa estruturado de mentorias e metas. O objetivo é estruturar companhias para crescerem, com base nas melhores práticas do Vale do Silício.

Os empreendedores passam 11 semanas na região e jantam com executivos tanto de dentro quanto de fora da rede Y Combinator. Cada encontro foca em um problema que as startups devem superar para escalarem suas soluções – e é uma oportunidade valiosa de networking.

A Quero Educação acabou de terminar o programa. “Nosso grande desafio é desenvolver a startup para uma escala mundial. Queríamos ver como as empresas daqui crescem do nosso patamar para milhares de funcionários. Discutimos problemas como crescimento, desenvolvimento de produto, gestão de equipes, investimentos e IPOs, marketing e vendas B2B [entre empresas]”, afirma Pádua.

A startup falou com executivos de gigantes como Airbnb, Amazon, Google, Instacart e Netflix.

Criada em São José dos Campos, no interior de São Paulo, a Quero Educação é um caso raro de startup que se tornou lucrativa desde cedo. O negócio tem contas no azul desde 2013, ajudado por cortes nos financiamentos governamentais Fies, Pronatec e Prouni. Logo atraiu investimentos-anjo no valor total de 2,5 milhões de reais, por parte de personalidades como Julio Vasconcellos, fundador do site de compras coletivas Peixe Urbano.

A startup teve receita de 50 milhões de reais no ano passado, matriculando mais de 150 mil estudantes no ensino superior. Hoje, possui mais de 300 funcionários.

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