Carlyle avalia Madero em até 3 bi — mas Durski quer mais

Rede de restaurantes especializada em hambúrguer alia grandiosos planos de crescimento a uma gestão financeira sempre no limite

Depois de anos de tratativas para vender parte de sua rede de restaurantes Madero, o empresário Luiz Renato Durski Junior está em conversas avançadas com o fundo de investimento americano Carlyle. A expectativa era fechar a venda de uma participação minoritária até o Natal, o que dificilmente vai acontecer, segundo apurou EXAME.

As partes ainda não se entenderam sobre o valor da empresa. A primeira proposta do Carlyle oferecia 700 milhões de reais por 23% da empresa, o que a avaliaria em até 3 bilhões de reais, de acordo com uma série de exigências previstas em contrato. Contudo, após a diligência fiscal, trabalhista e contábil feita pela auditoria contratada pelo fundo, Durski espera uma revisão da proposta para cima. “Nossa diligência foi muito boa e espero que eleve o valuation da companhia. Do contrário, vou avaliar se vale mesmo a pena continuar com o negócio”, diz Durski à revista EXAME nesta quarta-feira. Sua expectativa é que o fundo ofereça pagar 700 milhões por uma fatia menor. O duro é o Carlyle topar.

Uma das questões em aberto está nos passivos trabalhistas, fiscais e contábeis, situação comum em negócios deste tipo. Segundo Durski, a auditoria apontou para 120 milhões de reais em possíveis passivos. Executivos próximos ao negócio dizem que o valor pode ser algumas vezes maior, e que o Carlyle não está disposto a assumir o risco. “O fundo não nos pediu para não assumir nada e nem acreditamos que este será um problema”, diz o empresário.

Na avaliação de Durski, o grupo vale em torno de 4 bilhões de reais, valor que segundo ele leva em conta apenas a operação dos restaurantes Madero. Além do Madero, que tem 141 lojas no Brasil, este ano foi inaugurado o restaurante Jerônimo, atualmente com 11 unidades, e a Sanduicheria do Junior Durski, com quatro até agora. Recém-lançadas, as novas marcas ainda precisam se provar.

“Temos outras opções de financiamento também. A primeira é o Carlyle, mas podemos também pegar dívida bancária a 13% de juros anuais ou esperar para abrir capital ano que vem”, diz Durski.

Durski tem opções, mas também tem pressa. Um acordo é importante para pagar a dívida que o grupo tem com a gestora Hemisfério Sul Investimentos (HSI), de 510 milhões de reais que vencerão em setembro do ano que vem. A rolagem da dívida poderia ser uma quarta opção, mas, na opinião do empresário, não é interessante porque os juros são bem maiores do que a empresa consegue no mercado, de 21% ao ano.

Esta não é a primeira vez que o empresário curitibano negocia venda de uma fatia do grupo Durski, dono das redes Madero, Jerônimo e A Sanduicheria do Junior Durski. No começo do ano, as negociações com o fundo L Catterton, o maior do setor de consumo do mundo, não deram certo e o grupo acabou optando por reestruturar suas dívidas com a HSI. Segundo EXAME apurou, o Catterton avaliou a empresa em cerca de 2 bilhões de reais, o que Junior Durski achou pouco.

Nos anos anteriores, Durski já havia tido tratativas com outros fundos, como Gávea, Actis e até o próprio Carlyle. Apesar de ter outros sócios – o apresentador Luciano Huck tem 5% de participação e alguns diretores, 8% — Durski é quem tem o controle, com 87% do grupo.

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